Leitura do mês para o consignado – 99,9% não é 100%

Leitura do mês para o consignado comenta hoje sobre o livro Você pode mais! 99,9% não é 100%, que conta a carreira de Marcos Scaldelai, que aos 36 anos encarou o desafio de presidir uma das companhias de maior projeção e sucesso em seu segmento no país, a Bombril.

 

A Bombril é conhecida por todos nós. Com seu “garoto Bombril”, personagem representado pelo ator Carlos Moreno, sempre produziu campanhas publicitárias de enorme sucesso. Seu produto de maior sucesso, a lã de aço que também carrega o nome da empresa, chegou a conquistar 90% do mercado.

 

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Com 70 anos de história, a empresa, fundada em 1948, em São Paulo, por Roberto Sampaio Ferreira, voltou a ser propriedade de um brasileiro em 2006, após um período tumultuado de brigas na justiça. Quem assumiu o controle foi o filho do fundador, Ronaldo Sampaio Ferreira, que seguiu como Presidente do Conselho de Administração.

 

Scaldelai, nascido em Catanduva, interior de São Paulo, mudou-se para a capital para estudar e vencer na vida. Concluiu formação em Comunicação Social – Propaganda & Marketing pela ESPM e MBA em Gestão de Negócios e Tecnologia no IPT – USP.

 

Iniciou a carreira em 1997 e trabalhou em empresas de grande porte como a General Mills, quinta maior empresa do mundo no setor alimentício. Lá, teve a oportunidade de comandar ações de marketing de grandes marcas. Uma delas, a Häagen-Dazs, experimentou forte crescimento, e ajudou a tornar Marcos ainda mais conhecido no mercado.

 

Com o sucesso nos projetos que liderava, o executivo foi chamado para assumir a cadeira de diretor de Marketing do Grupo Bertin. Dentre as marcas que estavam sob sua responsabilidade, Vigor, Leco, Faixa Azul e Danúbio. O sucesso vertiginoso da Vigor nos últimos anos é mais uma evidência de como a atuação de Scaldelai é transformadora.

 

Em 2010, o líder do Conselho na Bombril não deixou que o talento do Catanduvense passasse despercebido. Após ler uma reportagem dada por Marcos à revista ISTOÉ Dinheiro, Ronaldo o chamou urgentemente para uma reunião. A intenção era contratar o executivo para ser CEO da companhia de soluções em limpeza.

 

A expectativa para a conversa já era grande. Mas Marcos ainda assim foi surpreendente o bastante para fazer Ronaldo contratá-lo naquele mesmo dia. Ronaldo queria um “louco” para a Bombril. A empresa precisava de um choque. Marcos disse que podia ser louco, sim, que era um fanático por desafios como aquele que Ferreira tinha em mãos.

 

E o desafio não era nada pequeno. A Bombril já faturava mais de R$ 1 bilhão ao ano e tinha em seu portfólio mais de 600 produtos. O time de funcionários da empresa passavam de 3 mil. Como rejuvenescer e transformar uma empresa com escalas tão grandes e com mais de meio século de atuação? Antes mesmo de Marcos nascer, os produtos da companhia já estavam distribuídos de norte a sul do país.

 

Marcos nunca correu dos grandes empreendimentos que a carreira colocou à sua frente. Desta vez não foi diferente. Aceitou o convite e foi comandar a Bombril. Colocou em execução um plano de gestão agressivo e planejado. Sendo um profissional de Marketing e Vendas, Scaldelai não esperou muito para inovar nesse departamento da companhia.

 

Uma de suas manobras mais surpreendentes foi o afastamento do Garoto Bombril. Para Marcos, apesar de delicada, a atitude estava longe de parecer ilógica. Se era necessário dar cara nova à companhia, era por ali que tudo deveria começar. Mais do que trocar o conceito da campanha de maior sucesso da empresa, o CEO trouxe um tema completamente contemporâneo e polêmico como ponto central dos seus comerciais.

 

A campanha “Mulheres Evoluídas” colocava as mulheres em primeiro lugar, criticando os homens que ainda pensavam que somente elas deveriam cuidar dos afazeres domésticos. Segundo o próprio Marcos, a decisão poderia ter arranhado bastante a sua carreira caso tivesse dado errado. Naquele momento, ele colocava sua cabeça na guilhotina.

 

O resultado foi um sucesso arrebatador. Nas redes sociais, foram mais de 28 milhões de comentários a favor da campanha. Dali em diante o alvo da Bombril mudava. Agora, era necessário trazer as mulheres com idade entre 20 e 39 anos para próximo da marca. Com campanhas inovadoras, inteligentes e consistentes, a Bombril conseguiu alcançar o objetivo esperado.

 

Seis anos depois de dirigir a Bombril, Marcos deixou a companhia e virou empreendedor. Atualmente é Presidente do Lide Interior de SP – Região de São José do Rio Preto e tem sua empresa, a MHS Marketing & Sales Consulting, onde atua como Escritor, Palestrante, Mentor e gerador de Projetos de Crescimento.

 

O livro é uma excelente oportunidade de conhecer a biografia de mais um grande executivo do nosso país com seu trabalho repercutido na vida de milhões de brasileiros. Além de uma carreira brilhante e uma história de vida emocionante, o livro de Marcos Scaldelai é motivador e agrega muito a qualquer empresário que deseja ter novos insights para o seu próprio negócio.

 

Se eu pudesse escolher apenas uma lição dentre todas que Scaldelai ensina detalhadamente no livro, seria o mindset de que TODO MUNDO É DE VENDAS. A cultura de que todos são vendedores é algo fundamental para uma empresa de grande sucesso e crescimento acelerado. É muito comum, até em pequenas empresas, haver conflito entre quem vende e quem desenvolve o produto ou presta o serviço.

 

Se por um lado, a área de Vendas é muito acelerada, quem é de Operações precisa assegurar que os processos sejam respeitados, garantindo qualidade e conformidade à produção. Por isso, é primordial que sejam implementados “dispositivos” que ajudem nessa integração.

 

Afinal, o time de Operações quer que seu produto/serviço vá para a rua e encante seus clientes e consumidores. O pessoal de Vendas quer o produto/serviço siga em constante evolução, sendo cada vez mais aderente aos desejos dos clientes.

 

No meio de tudo isso, fora os processos corporativos, o que temos, geralmente, é um vácuo entre os dois times. Isso dificulta o alinhamento das duas partes e promove, às vezes, um confronto em que quem sai perdendo é, sem dúvida alguma, o cliente. E isso, ninguém quer.

 

A fim de evitar essa dificuldade, deve-se implantar mecanismos que visem unir esses dois grupos e incentivar a troca de informações e experiências. A partir daí, podemos extrair algumas conclusões e sugestões.

 

Por exemplo, pode-se sugerir que o líder da equipe técnica ou de operações acompanhe um executivo de vendas numa visita ou apresentação comercial. Da mesma forma, é possível recomendar que um profissional da área comercial faça uma imersão no dia-a-dia da operação. O intercâmbio de experiências irá desenvolver a compreensão necessária para que todos colaborem ainda mais com o trabalho do outro.

 

Essa imersão na rotina de outro departamento tornará mais rápida a identificação de processos que já não são tão úteis ou eficientes no objetivo de crescimento do negócio. Experimente essa ideia na sua promotora e conte-nos sobre o resultado.

 

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